Se você está pensando em criar um projeto digital – ou não – já deve ter considerado a possibilidade de fazer uma campanha de financiamento coletivo, ou crowdfunding. Se não, explico: isso nada mais é que chamar pessoas e empresas comuns a patrocinar sua ideia. Na internet, as campanhas de financiamento ganharam ferramentas que dão algumas garantias aos que patrocinam e ajudam quem quer ser financiado a chegar mais fácil ao público.

Há sites específicos para realizar campanhas de crowdfunding e que permitem que se estabeleça uma meta de arrecadação. Se conseguir chegar no valor definido, o criador da campanha fica com o dinheiro e é responsável por cumprir as promessas feitas aos patrocinadores. Se não atingir o total definido, o site nem cobra o valor prometido dos patrocinadores, nem a comissão do site do criador da campanha.

Normalmente numa campanha de financiamento o criador estabelece recompensas por valor doado. Essa recompensa pode ser o registro do apoio no produto, o próprio produto ou brindes.

Mas como funciona uma campanha? É isso que vamos explicar aqui.

Devo fazer um crowdfunding?

Uma campanha de financiamento coletivo pode ser bastante econômica, quase que gratuita. Mas há investimentos. No mínimo você vai gastar um bom tempo com ela. E tempo, já dizia vovó, é dinheiro. Então antes de começar é bom avaliar se esse é um bom caminho.

Existe uma pesquisa do Catarse (site de crowdfunding brasileiro) que detalha informações sobre esse mercado e que é um bom lugar para se começar a estudar o assunto. E já que você está indo atrás de páginas, é legal visitar os principais sites:

No Brasil: Catarse, Kickante e Benfeitoria.

No exterior: Indiegogo e Kickstarter.

Uma campanha de financiamento coletivo tem algumas características que vão também impactar nas chances da sua ideia ser bem sucedida. Primeiro: é preciso prever recompensas para os patrocinadores. Essas podem ser o próprio produto ou o reconhecimento do patrocínio. Ou seja, a pergunta aqui é:

Sua ideia é algo com que as pessoas vão querer ser se ver associadas?

O sucesso da sua campanha também depende da comunidade que você tem já formada. Claro, com uma campanha no ar você pode atrair novos patrocinadores, mas os que já te conhecem, já conhecem sua ideia:

  • patrocinariam ela?
  • teriam condições de pagar o valor previsto na campanha?

E a última pergunta (e a mais importante): você tem certeza que o produto/ideia vai se viabilizar com o valor arrecadado com a campanha? Ter uma campanha bem-sucedida é muito difícil, mas há quem consiga isso e daí não consiga cumprir o que foi prometido. Isso, é claro, é inaceitável.

Que tipo de ideia é financiado?

Na minha opinião, campanhas desse gênero funcionam bem para duas situações distintas. Um: causas com grande adesão. Dois: venda antecipada de produtos.

No primeiro caso, estamos falando de projetos que as pessoas apoiam porque aderem à causa. Como livros sobre temas fortes, como violência policial, racismo, pobreza. Publicações e obras de arte que de outra forma não teriam como se viabilizar.

Já a venda antecipada é quando você tem um produto em fase de prototipação e precisa do dinheiro para viabilizar a produção. Os patrocinadores ganham como recompensa o produto antes dele chegar no mercado. Esse tipo de ação é comum com gadgets inovadores (só dar uma checada nos produtos disponíveis no Kickstarter.

Nada impede que a sua campanha seja híbrida, uma mistura das duas propostas. Um livro sobre um tema importante e que vai chegar antes na casa de quem patrocinou.

A sua campanha não parece se encaixar em nenhum dos casos? Talvez seja uma boa ideia verificar se outras propostas parecidas já foram bem-sucedidas.

Planejamento

Então você acha que pode realizar uma boa campanha. Beleza. Vamos ao passo a passo. O primeiro é definir o objetivo. Parece óbvio, mas é comum a pessoa se perder aí e querer abraçar muitos objetivos ao mesmo tempo. Uma campanha precisa de um alvo claro. Por exemplo: publicar um livro numa primeira tiragem de 1.000 exemplares.

Quanto mais definido esse objetivo, melhor. Se a meta é publicar uma tiragem de 1.000 livros, já partimos daí para iniciar o planejamento. O passo dois é definir o valor da campanha. Digamos que cada livro tenha o custo de R$ 20, isso significa que o valor mínimo da campanha é de R$ 20.000, uma meta respeitável. Isso sem falar nos outros custos que a campanha vai ter.

Daí vem a pergunta: minha comunidade teria condições de financiar algo nessa faixa? Ou eu tenho como reduzir esse valor?

Uma campanha de R$ 20 mil significa conquistar 400 patrocinadores com valor médio de R$ 50. Para conquistar a carteira de 400 pessoas você vai precisar mobilizar, numa estimativa bem otimista, umas 4000 pessoas.

Mas que outros custos uma campanha pode ter? Você pode simular os valores de uma campanha usando o meu modelo de planilha de planejamento. Faça uma cópia do arquivo e divirta-se.

Note que a planilha prevê cinco categorias de patrocínio com as respectivas recompensas. É interessante ter valores que possam atrair tanto quem quer investir na sua ideia com mais dinheiro quanto preços menores.

Depois de definido a meta, os valores e recompensas, é a hora de pensar em prazos. Em quanto tempo você consegue executar o projeto definido? São esses prazos que vão servir para você definir as datas de entrega das recompensas.

Daí é preciso escolher a plataforma que você irá usar na sua campanha. Cada uma tem uma comissão sobre o valor arrecadado e um sistema de publicação da campanha diferente. Veja em qual o perfil da sua ideia se encaixa melhor.

Por fim, é hora de fazer uma lista. Pegue papel e caneta e liste pelo menos 10% do total de pessoas que você vai precisar que contribuam e pra quem você pode pedir pessoalmente por uma doação. No nosso projeto hipotético, precisamos de 400 pessoas, então vamos listar 40 que conhecemos e que vamos abordar para verificar se podem doar para a ideia.

Esse contato direto vai permitir que você veja se o que pensou é realmente viável. Vamos considerar que você tinha que arrecadar R$ 50 de um grupo de 400 pessoas, mas ao abordar essas primeiras 40 que te conhecem e que você acha que teriam condições de contribuir, menos da metade doou e abaixo do valor médio previsto. Ou seja, você está com problemas.

Mas se as 40 doaram uma média de, digamos, R$ 80, você já está com R$ 3.200,00 em caixa (16% do total da campanha) e sabe que sua estimativa inicial não é tão inviável assim.

Por fim, liste os principais materiais de divulgação necessários e veja se é preciso incluir custos não previstos para isso na previsão financeira já feita. Lembre que vídeos e fotos são essenciais para esse tipo de trabalho.

Quanto tempo dura uma campanha?

Toda campanha de crowdfunding tem duração limitada. No caso das que tem meta definida (chamadas de Ou tudo ou nada), é nesse período que você tem que alcançar o valor definido, ou fica sem nada do que foi doado. Mas como quantificar esse tempo?

Primeiro é preciso levar e consideração que nesse período você e sua equipe vão trabalhar intensamente, alimentando o site, as redes sociais e divulgando o projeto. E mesmo que todo mundo seja voluntário, tempo é dinheiro e é limitado. Então quanto tempo você consegue investir?

Em média, as campanhas duram dois meses, um bom período para divulgar o projeto e convencer os patrocinadores. Esse é o tempo em que ela está no ar. Para isso você vai gastar pelo menos um mês antes para preparar a campanha e o tempo necessário depois (e que você já estipulou) para dar conta da concretização do projeto.

Como começar

Um erro muito comum que muitas campanhas cometem é começar sem nenhuma doação. A ideia entrar no ar é preciso assegurar um valor mínimo de doações já feitas. Por que? Porque ninguém gosta de ser o primeiro. Se uma campanha de R$ 20 mil entra no ar com R$ 3,2 mil já no caixa você tem duas vantagens: 1) outros potenciais patrocinadores se sentirão mais confiantes em doar porque várias pessoas já doaram e 2) você já tem um destaque pro seu release que é – Campanha arrecada 16% do total em XX horas.

O ideal, na realidade, é que você tenha doações garantidas para todo o período. Para que a campanha continue se movimentando. Isso porque quem doa tende a continuar divulgando a medida em que vê que o projeto está se aproximando do objetivo.

Ok, já tem os primeiros doadores garantidos, o planejamento financeiro em mãos, já decidiu a plataforma. Então vamos lá:

  • primeiro vamos listar veículos, blogueiros, youtubers etc que possam querer divulgar a campanha. Liste tudo, da celebridade ao teu amigo que tem um blog pessoal
  • pesquise grupos em redes sociais, páginas, grupos de whats que também possam ser uteis na divulgação
  • crie os perfis da campanha nas redes sociais. Prepare logos, imagens, emails. Tudo que você vai precisar para deixar os perfis com cara profissional.
  • crie um canal no Youtube para a divulgação dos vídeos promocionais, entrevistas, clippings etc.

Com o mapa de espaços de divulgação montado acima, é hora de produzir o material necessário. Lembre que no caso dos vídeos, é legal ter uma versão completa, para a página do crowdfunding, mas também versões menores para as redes sociais e whats.

Você deve definir de antemão um cronograma de divulgação que preveja tanto posts na página, redes sociais quanto o envio de releases, conversas com blogueiros, jornalistas, entrevistas. A meta no período em que a campanha estiver no ar é divulgar, divulgar, divulgar.

Também preveja o uso da rede de doadores para continuar ampliando o alcance do projeto. Não esqueça de planejar o envio de newsletters com atualizações do projeto.

Consegui! E aí?

A divulgação de uma campanha não se limita ao prazo de captação de recursos. Quando bem sucedida, uma iniciativa dessas pode aproveitar o momento para ganhar mais atenção da mídia e reforçar a visibilidade do produto e da marca.

Ao alcançar a meta, o organizador da campanha deve enviar um email especial aos patrocinadores comemorando o feito. Deve também mantê-los atualizados do andamento do projeto e do cronograma de envio das recompensas, eventos etc.

Qualquer atraso nas datas previstas precisam ser comunicadas com antecedência. Alterações no produto e mesmo inclusão de vantagens não previstas também.

Por fim, é importante guardar o mailing conquistado com a campanha. Uma iniciativa bem sucedida pode dar espaço para outras. E da segunda vez boa parte do trabalho já está pronto.

 

 

 

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