A universidade, como toda instituição, possui suas próprias regras e estabelece, entre seus integrantes, um código de conduta. Este código tem em vista a necessidade de garantir o bom andamento das atividades universitárias, bem como a integridade do trabalho científico produzido na instituição.

Um dos maiores desafios da atividade universitária hoje é a ocorrência de fraudes escolares, notadamente o plágio e o uso incorreto de informações de outros em trabalhos supostamente originais. O plágio é particularmente danoso ao escopo do trabalho científico uma vez que é o aproveitamento, irregular, das idéias e do trabalho de outros. E é justamente a grande missão da universidade a produção de trabalhos originais e que atendam aos padrões científicos.

Ao plagiar, uma pessoa atenta contra essas duas missões. Primeiro porque não produz nada de novo. Apenas se aproveita do que já foi feito por outro, sem dar o devido crédito. E segundo porque ao copiar idéias o autor não as submete ao processo científico, não testa hipóteses, não avalia resultados, ou seja, não produz ciência.

 

 

Dada a gravidade do plágio no ambiente universitário, sua ocorrência está sujeita a suspensão. Ou seja, uma vez provada “o uso de meios fraudulentos nos atos escolares” – ação na qual o plágio se enquadra – a sanção prevista é diretamente a suspensão sem a necessidade de advertência ou repreensão ao aluno antes disso.

Na legislação brasileira o direito do autor é protegido e inalienável (o que significa que nem mesmo o próprio autor pode ceder a autoria a outros). A ocorrência de plágio é crime previsto no Código Penal:

 

“Art. 184 – Violar direitos de autor e os que lhe são conexos: (Alterado pela L-010.695-2003)

Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa”.
(Brasil. Código Penal Brasileiro. Crimes contra a propriedade imaterial. Disponível em http://www.dji.com.br/codigos/1940_dl_002848_cp/cp184a186.htm em 15 de julho de 2011).

 

No entanto, dentro dos preceitos que guiam a formação dos futuros jornalistas brasileiros, a ocorrência de plágio ganha uma dimensão ainda maior. A cópia de informações de outros autores, mesmo com a indicação clara de autoria, já é uma abertura de exceção na regra de ouro da profissão: que é de que é preciso ter controle sobre a fonte da informação como forma de poder lhe aferir credibilidade. Sem a indicação de autoria, o uso da produção alheia é, antes de qualquer coisa, uma afronta à ética da profissão.

 

É importante ter em mente que um bom trabalho jornalístico pressupõe sempre:

– o respeito às partes envolvidas e ao interesse público

– trabalho original de apuração

– e a checagem exaustiva das informações obtidas

 

Também é importante observar que o código de ética da profissão é um guia de comportamento para toda a vida do jornalista. O jornalismo é uma profissão que tem objetivos nobres e bastante complexos, como a de fazer com que os poderosos sejam responsabilizados por seus erros e de cobrar o mais elevado padrão moral, ético e profissional de nossos líderes, bem como o de contribuir para a manutenção da democracia.

Como artífice dessa profissão, o jornalista também deve observar esse “elevado padrão moral, ético e profissional” não só no âmbito de seu trabalho, mas também na sua vida pessoal e acadêmica.

No código de ética da profissão uma série de itens remete a esse compromisso:

Art. 4º O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, razão pela qual ele deve pautar seu trabalho pela precisa apuração e pela sua correta divulgação.

Art. 6º É dever do jornalista:

IX – respeitar o direito autoral e intelectual do jornalista em todas as suas formas;

Art. 7º O jornalista não pode:

VIII – assumir a responsabilidade por publicações, imagens e textos de cuja produção não tenha participado;

(Brasil. Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros. Disponível em http://www.fenaj.org.br/federacao/cometica/codigo_de_etica_dos_jornalistas_brasileiros.pdf em 15 de julho de 2011)

 

Grosso modo, evitar o plágio significa sempre indicar ao leitor, seja de trabalhos jornalísticos, acadêmicos ou mesmo de textos pessoais, a origem das informações utilizadas e o caminho feito para chegar até elas. Algumas pessoas podem argumentar que, num texto, essa referência constante às fontes pode ser cansativa, deselegante ou até mesmo prejudicial ao estilo do texto.

No entanto, nenhuma dessas questões está acima do compromisso do jornalista, do estudante e do cidadão com a verdade. No exercício do jornalismo, isso acaba servindo de estímulo ao bom repórter para que sempre faça um trabalho original de apuração e não tenha que atribuir informações a outros veículos de comunicação.

 

Citação direta e citação indireta (paráfrase)

A indicação da fonte tem que sempre que ser clara e inequívoca. E precisa ser reforçada toda vez que isso se tornar necessário. No entanto há tipos diferentes de citação e que exigem cuidados próprios.

Por exemplo, a citação textual ou direta é um recurso bastante popular tanto em textos jornalísticos quanto acadêmicos. Trata-se da reprodução, de forma idêntica ao original, de trechos de texto. Quando isso acontece, a citação é sinalizada para o leitor com o uso de aspas, além da indicação obrigatória da fonte.

Outro tipo de citação é a indireta ou paráfrase, que é escrever com as nossas palavras o pensamento do autor. Esse recurso é, muitas vezes, usado para deixar o texto mais claro, objetivo. O uso da paráfrase não é plágio, mas a indicação da fonte é obrigatória, uma vez que se trata das ideias de outro. Sem ela, o responsável se apropria das ideias alheias, o que configura fraude intelectual. Também é fundamental que ao parafrasear alguém você se mantenha fiel ao pensamento do autor.

 

Uso justo

Mas então para evitar plágio devo só usar o que eu escrevi? Não. Na realidade, é improvável que um jornalista ou estudante tenha conteúdo original para usar o tempo todo. A gente produz em cima da produção dos outros. No entanto, isso não significa copiar e sim desenvolver algo a partir da ideia do outro.

Explico: em primeiro lugar, para não cometer plágio, tanto o estudante quanto o jornalista devem sempre indicar a fonte das informações que estão usando. Esqueça essa história de que algo é de “bom senso”. Não existe isso nem na ciência nem na reportagem. Se você quer dizer que o céu é azul, deve indicar que você observou a coloração azul do céu nas coordenadas X e Y, no dia tal, em tal horário etc. Entende?

Se a informação de que o céu é azul está numa reportagem publicada pelo UOL, então atribua essa informação a origem dela, mesmo que você possa pensar: ah, mas eu também sei que o céu é azul.

Em segundo lugar, a indicação da fonte não significa que você pode copiar toda a lógica de uma obra. Explico: digamos que você está escrevendo um artigo sobre plágio e está usando esse meu artigo aqui como referência. Pois bem, o teu artigo pode tratar de alguns pontos aqui, mas ele deve necessariamente avançar ou aprofundar o que estou falando aqui. Do contrário, você só está reescrevendo o que eu já escrevi.

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Categories: jornalismo

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