Envio de notícias via Whatsapp e Telegram

No dia 8 de março de 2017 um grupo de movimentos feministas e sociais de Curitiba aderiu ao movimento mundial Greve das Mulheres e realizou uma Marcha pelo centro da cidade. O dia todo foi marcado por eventos para discutir feminismo, protagonismo da mulher e os alunos do curso de Jornalismo da Universidade Positivo participaram do evento fazendo a cobertura jornalística e registro fotográfico.

Os estudantes, sob a coordenação da professora Rosiane Correia de Freitas, também utilizaram, em parceria com o portal Bem Paraná, um número de whatsapp/Telegram para transmitir conteúdo sobre o evento para uma lista prévia de telefones cadastrados. A intenção era avaliar o uso desses dois aplicativos de mensagens instantâneas na distribuição de conteúdo jornalístico.

O trabalho começou no dia 6 de março, com a divulgação, no Bem Paraná, do formulário de cadastro. Um total de 53 pessoas se registraram e tiveram seus números incluídos na agenda do telefone do veículos. O grupo foi adicionado integralmente no whatsapp. Destes, 42 contatos também foram encontrados e adicionados no Telegram (o número total de assinantes da lista de transmissão no Telegram caiu para 39 no dia 10 de março, depois do fim da experiência).

 

No total, a lista de transmissão do Whatsapp para este teste continha 221 destinatários, um total obtido através da soma dos contatos originais do aparelho usado com os 53 contatos novos obtidos através da lista de cadastro.

 

Uma mensagem de boas-vindas foi publicada na lista do Whatsapp às 15h58 do dia 7 de março. E a transmissão de conteúdo começou às 8h19 do dia 8. Já no Telegram, a primeira mensagem só foi enviada às 15h40 da tarde do dia 8 porque a equipe estava envolvida na produção de palestras na manhã do evento e não deu conta de manter a atualização das duas contas.

 

No início da tarde também foi o momento em que a equipe percebeu que havia um baixo índice de envio no Whatsapp, o que, como consequência, provocou uma baixa audiência. Das 14 mensagens enviadas para os 221 usuários, em média, só 7,07 recebeu/visualizou o material, um índice de 3,23%. O sistema de dados do Whatsapp é um pouco diferente do Telegram. O primeiro app informa quantos receberam e, destes, quantos viram a mensagem. Já o Telegram só informa quantos visualizaram. Na prática isso significa que, no Whatsapp, as mensagens não chegaram a nem ser enviadas para a maior parte das pessoas cadastradas.

 

Para tentar reverter isso, o grupo passou a enviar individualmente as mensagens, o que aumentou consideravelmente o trabalho, mas também melhorou o número de mensagens entregues. No início do dia o maior número de usuários que receberam as mensagens foi quatro. No fim, esse número chegou a 12.

 

Esses totais, no entanto, só representam a audiência da lista de transmissão no Whatsapp e não a das mensagens mandadas individualmente, uma vez que não foi possível tabular esse dado sem prejudicar o prazo de produção deste relatório. Mas a equipe verificou, de fato, um aumento de visibilidade das mensagens cujo recipientes interagiram de alguma forma com o telefone de envio.

 

Já no Telegram as mensagens tiveram mais visibilidade. Foram 7 envios com audiência média de 18,57 visualizações ou 44,22% do total de cadastros. Mas as únicas interações registradas durante o período com os recipientes foi o descadastro de duas pessoas. No Whatsapp os usuários enviaram fotos do evento, questionaram o envio das mensagens e até mesmo perguntaram quem estava por trás dos textos.

 

  1. Links

Das 14 mensagens enviadas durante o teste, seis continham links. Para monitorar a audiência obtida com o compartilhamento de conteúdo via Whatsapp ou Telegram, a equipe usou o redutor de URL do Google (https://goo.gl/) , que gera um relatório de cliques originados na versão reduzida do link.

Dos seis links compartilhados, cinco foram clicados, conforme os dados da tabela abaixo

 

Link Views
www.bemparana.com.br/noticia/491433/o-clube-secreto-de-mulheres-que-foram-abusadas-sexualmente-na-infancia 1
www.bemparana.com.br/noticia/491377/vitima-de-violencia-domestica-conta-com-rede-de-protecao-em-araucaria.-veja-para-quem-ligar 1
www.bemparana.com.br/noticia/491388/dos-4-mil-motoristas-de-onibus-em-curitiba-60-sao-mulheres 1
www.bemparana.com.br/noticia/491362/mais-de-500-mulheres-sao-agredidas-por-hora-no-brasil-mostra-pesquisa 6
www.bemparana.com.br/noticia/491333/dia-da-mulher-absurdos-e-sequelas-de-relacionamentos-abusivos 0
www.bemparana.com.br/noticia/491179/programacao-do-dia-da-mulher-tem-debate-tecnologia-e-cinema 4

 

2. Questões técnicas

A realização do teste descrito aqui foi realizado com o uso dos seguintes recursos:

 

  1. notebook com wifi
  2. conexão 3G e wifi
  3. celular dual chip Android
  4. chip de dados
  5. app GO Multiple, disponível na Google Play
  6. Formulário para cadastro de usuários
  7. Google Contacts
  8. Conta gratuita no Google Drive

 

Um primeiro desafio no projeto foi a composição do cadastro para envio das mensagens. A professora responsável e a editora do Bem Paraná fecharam uma pequena parceria para que a cobertura dos alunos fosse aproveitada pelo veículo, assim como a empresa cedesse o chip de dados e divulgasse o formulário de cadastro no site. O início da divulgação se deu na tarde de segunda-feira, dia 6, menos de 48 antes do início do evento.

 

Com o chip em mãos, a equipe percebeu que o Whatsapp não permite o cadastro de mais de uma conta num mesmo aparelho, mesmo que este seja Dual Chip. Para fazer o uso simultâneo de duas contas, foi necessário instalar o app Go Multiple, que “clona” apps dentro do celular, enganando o Whatsapp e permitindo o uso de duas contas simultâneas. A equipe também usou a versão web do Whatsapp para facilitar a edição e envio de mensagens, mas a conexão com o celular (que é obrigatória) ficou instável durante o dia todo por conta do uso do Go Multiple.

 

É preciso ressaltar, no entanto, que o uso dessa “gambiarra” pode resultar no bloqueio da conta no Whatsapp uma vez que o app não autoriza o uso de código de terceiros para alterar o aplicativo. O Whatsapp, inclusive, é conhecido por não incentivar recursos de terceiros, nem tem uma API documentada que permita o desenvolvimento de soluções para a plataforma.

 

A situação é bem diferente com o Telegram, que não só tem uma API aberta e documentada como disponibiliza um aplicativo para desktop/notebook que funciona mesmo sem o celular estar conectado ao app. No entanto, a diferença de público ativo nos dois apps é enorme. O Whatsapp tem 1,2 bilhão de usuários enquanto o Telegram soma 100 milhões.

 

Conclusões

Após a análise dos dados acima, foram observadas os seguintes indicativos relevantes para novas experiências na área:

 

  1. A audiência e efetividade da ferramenta pode aumentar significativamente caso o cadastro do usuário se dê pelo próprio app. Ou seja, o leitor manda uma mensagem para o telefone da redação e é incluído na lista de transmissão.
  2. O uso de apps para duplicar o Whatsapp no celular deixa a navegação lenta e prejudica o desempenho do aparelho. Sugere-se o uso de aparelho dedicado, ainda mais considerando que o editor de conteúdo terá que ficar, obrigatoriamente, com o aparelho, para poder operar a publicação.
  3. A implantação de um serviço desse gênero exige que alguém fique responsável pela conta pelo menos no período do dia em que ela está ativa (enviando informações), uma vez que é esperado que o usuário interaja, enviando informações, criticando ou mesmo só comentando o que foi informado.
  4. Há também que se ter alguém que desempenhe a função de “editor de Whatsapp” e prepare o conteúdo para envio.
  5. Sobre a dicotomia Telegram x Whatsapp, a melhor estratégia é usar ambos os apps, mas priorizar o Whatsapp.

 

No mais, a implantação de um serviço de envio de conteúdo por app de mensagem instantânea é de baixo custo e não traz grandes dificuldades técnicas, o que pode ser um dos principais atrativos para que ela seja uma opção para diferentes veículos de comunicação.

Deixe uma resposta